Uma Reforma Tributária alienígena!

Uma Reforma Tributária alienígena!

A criatividade do brasileiro sempre foi exaltada como um talento característico e diferenciado do nosso povo, o que fica patente no nosso futebol, na música, na resiliência dos nossos empreendedores e em muitos outros ramos.

Porém, quando se trata de criar legislação tributária ou dotar o Estado de uma mínima, mas necessária burocracia, nos moldes de Max Weber, aí, com o perdão do trocadilho tosco, “criatividade no dos outros é refresco!”.

Foi assim que conseguimos gerar o famoso e nefasto manicômio tributário, com vários puxadinhos e remendos feitos ao longo do tempo, com toda nossa criatividade, que infernizam ainda mais o dia a dia dos cidadãos e a vida do empreendedor.

No momento, estamos imersos numa bolha tão distante da realidade dos mais de 183 países que estão à nossa frente (e que têm um sistema tributário melhor que o nosso), que, incrivelmente, não conseguimos enxergar sequer que haja uma luz no fim do túnel, que pode dar para o cânon de um sistema tributário mais lógico, racional e funcional.

É incrível o tamanho do pessimismo e descrença de alguns profissionais que lidam com esta matéria tributária. Professores, economistas, advogados tributaristas e inúmeros “especialistas” de redes sociais (afinal, somos 200 milhões de tributaristas, não é mesmo?)

Para uns, a Reforma Tributária pode acabar com seu negócio. Percebo que há até alguns contadores e advogados com um medo inconfessável de que a Reforma lhes traga prejuízos pela redução da complexidade, da burocracia e dos trilionários contenciosos nas esferas municipais, estaduais e federal.

É um sofisma que burocracia e complexidade geram empregos. E, desse modo, com um pessimismo de amargar, prorrompem num ceticismo e desânimo que estraga um pouquinho de esperança dos incautos cidadãos leigos, que esperam desses profissionais uma proficiência pela qual pensam em sua humilde e natural ignorância de algo tão complexo: “Ah, eles que mexem com isso, devem saber do que falam, então estamos lascados, pois não vai sair reforma alguma. É melhor permanecer como estamos”

O pior é que até mesmo alguns professores, que conhecem com todo seu teor acadêmico e que influenciam alunos, e muitas vezes são fontes para matérias jornalísticas, adotaram também essa postura de crítica e desânimo.

Sendo que é quem deveria justamente estar a postos para apoiar a iniciativa e contribuir com seu conhecimento, ter mais entusiasmo e mobilizar as pessoas para o bem comum, para construirmos um sistema tributário mais simples e mais justo,

Será mesmo que entidades representativas vão continuar puxando o cobertor pra si, deixando no frio o cidadão mais interessado e quem realmente paga toda essa conta, apenas por questões corporativistas?

Será que podemos continuar pagando o altíssimo preço desse caos tributário e aí, quando tudo estiver perfeito, com Reforma Administrativa aprovada, com um sistema que atenda todos os interesses, é que poderemos fazer mais um esforço para outra reforma? Ou será que deveríamos pensar numa reforma sistêmica, cujos impactos terão que ser avaliados no seu conjunto e não apenas num ou noutro setor?

Será que podemos continuar insistindo nessa teoria “romântica” do “Ou mudamos tudo, levando à perfeição, ou não mudamos nada?” Ao estilo do “Não mexam no meu queijo?”.

Será que precisamos de um sistema tributário alienígena? O Brasil seria um país tão diferentão, a ponto de merecer um sistema tributário único e exclusivo, que país algum teria competência para ter trilhado caminho suficientemente adequado? Afinal, nós somos de outro planeta?

Será que, na velocidade em que o mundo gira, precisamos discutir mais 30 anos a Reforma Tributária perfeita, sem a qual não poderíamos prescindir de manter a nossa “obra prima” de 5 trilhões em brigas judiciais entre contribuintes e o Insaciável Estado?

Deixo essas reflexões para que saiamos dessa bolha em que nos colocamos e possamos olhar pra frente com ousadia, coragem e fé, para, assim como vencemos outrora o dragão da hiperinflação, possamos também vencer o obscuro e inconsciente desejo de um sistema tributário alienígena, perfeito, na base do tudo ou nada!

Somos a geração que vai mudar o sistema tributário nacional.

Até a próxima e, como diz um dos autores das propostas que estão na comissão mista da Reforma Tributária do congresso, Carlos Haully, “abraços fraternos e reformistas!”.

Imagem: HC Notícias

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